"Se alguém encontrou o sentido da vida chorou."

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013



ASPAS.

“Então eu te espero no ponto de ônibus”
“Sim, eu te aviso quando estiver chegando.”
Sempre que se começa uma historia, abrem-se aspas esperando assim, que quando se acabe fecha-se aspas. Eu nunca esperei ter uma historia tão bela pra contar. Que eu tenha passado, digo. Depois de tomar meu remédio diário de decepções eu recebo uma sms pra confirmar a presença em uma festa, ou não. Resolvi confirmar, a companhia era ótima. Um rapaz da minha mesma altura, moreno, com um sotaque paranaense e um senso de humor... Hum... Sem adjetivo perfeito. Conheci pela internet, mas por conhecidos sabia que ele era real e o quanto sua presença para todos era agradável ‘Nunca pensei que seria tão agradável assim’, inclusive, após sua volta pra minha cidade uma amiga minha já havia o encontrado. Enfim, aceitei seu convite em sair à tarde depois à noite. Beijamo-nos do modo em que princesas de filmes românticos levantam a perna quase ficando na ponta dos pés, se estivéssemos de pé, com certeza eu teria a sensação de estar flutuando. Então vim pra casa, tinha que me arrumar pra festa que iriamos ir mais além.
‘Se cuida nesse ônibus filha, quando chegar à festa me avisa.’
Abanei e subi para o ônibus.
‘Já estou no ônibus, em 20min estou descendo. ’
‘Ok, já vou sair de casa então. ’
Desci toda medrosa naquele ponto de ônibus. Tudo bem que era na frente de um posto 24h, mas nunca se sabe quem é maníaco nesse mundo. Olhei pro outro lado da rua e fiquei até meio boba em ver ele me esperando lá. De pé, todo arrumadinho. Atravessei a rua e coloquei a mão em seu ombro pra chamar sua atenção. Ele segurou meu rosto e me beijou.
‘Tudo bem contigo?’
‘Estou ótima e tu?’
‘Também! Vamos?’
Assenti com um sorriso e sua mão segurou a minha. Chegamos à festa e como inesperado da minha parte ele entrou de mãos dadas comigo. Encontrei algumas amigas e ele alguns amigos, passamos a maioria do tempo juntos até nos separarmos pra ir conversar com os grupos separados. Confesso que passei o tempo todo procurando por ele, e quando o encontrava me sentia aliviada de não vê-lo com alguma menina pendurada em seu pescoço.
Encontramo-nos pra ir embora e como sempre, vem ele com aquele sorriso sapeca rindo me abraçando e me beijando. Sentia o gosto de bebida na sua boca, mas o gelado me agrava muito bem. Eu não posso beber... Sabe remédios e parara. Quando saímos de vez do salão de festas, o atrasado lembrou que tinha que chamar os amigos pra ir embora, e ficamos lá na frente esperando. Isso eram 3h30min. 3h40min. 3h50min. 4h00min. E nada de nenhum amigo dele.
‘Tu falas muita bobagem sabia?”– Ele disse e riu.
‘Desculpa. ’ – Fechei o rosto fingindo ficar braba
‘Ah para quieta e vem cá’
Virei-me pro outro lado e deixei de ficar olhando pra ele. Sim, era quase impossível.
“Psiu, olha pra mim”.
Segurava meu rosto e fazia bico
‘Olha pra mim. ’
Puxou-me mais pra perto e me beijou. Nisso estávamos sentados, com um pouco de frio. Abracei-o mais forte que pude e fiquei lhe fazendo carinho... Ele fechava os olhos a cada toque de meus dedos em seu rosto. Eu fazia questão de beijar cada centímetro do seu rosto, orelha, assoprava ar quente em seu pescoço. Ele sorria e se arrepiava. Quando enfim nos beijamos era como chegar ao oásis dos meus sonhos românticos.
‘Todos meus amigos estavam me perguntando quem era minha namorada. ’
‘Namorada? Aonde?’
‘Pois é!’
Rimos por um bom tempo
‘Acho que eu mudei, eles falaram isso, ‘Tu de casal em festa?!’ Tive que concordar com eles, nunca fiz isso antes. Disse que tu não é minha namorada. ’
‘É não sou mesmo’
Continuamos rindo até eu o sentir sussurrar no meu ouvido: ‘Ainda não.’
Passaram então três meninas da minha idade pela gente, eu até conhecia da escola.
‘Mas nem bêbado eu fico com uma mandinha de 14, 15 feia dessas!’
‘Desculpa, mas tu tá ficando com uma mandinha de 15 anos. ’
‘É diferente. ’
‘Por quê?’
‘Por que tu és linda!’
Sorri toda sem graça, pude sentir meu rosto esquentar.
‘E contigo – ele terminou – não é só atração física. Eu gosto de ti. ’
Agora pense quem estiver lendo, alias caso alguém estiver lendo, como que eu posso não me apaixonar ou no mínimo me iludir com tudo isso? Impossível!
Simplesmente não respondi nada. Acho que o sorriso e a felicidade que eu transbordei naquele momento foi o suficiente pra ele perceber o quanto aquilo foi importante.
Já eram 6h00min quando comecei a ficar completamente exausta e irritada de ficar esperando. Tirei os sapatos, levantei irritada de esperar os amigos dele e disse pra sairmos dali, seja lá pra onde fosse. Ele percebeu o quanto eu estava chateada de não ter como descansar e carregou meu sapato.
‘Quer colocar meu tênis?’
‘Não precisa. ’ Agora me arrependo completamente de não ter aceitado, fiquei cheia de bolhas nos pés de caminhar descalça.
‘Vem, vamos por aqui. Quer comer alguma coisa? Beber alguma coisa?’
‘Não. ’
‘Tá, mas vamos para um posto. ’
Fomos pro mesmo posto em que nos encontramos antes. Sérios o tempo todo. Eu de cara amarrada e braba. Ele se sentindo culpado da minha exaustão por nós termos que esperar tanto pra nada. Comprou um suco e sentamos dentro da loja AM/PM. Acho que o atendente nunca mais vai esquecer aquele casal pirado. As crianças não conseguiam nem abrir a garrafa do suco e sujamos toda a mesa. Eu não parava de rir um minuto se quer, nem ele! Fazia tempo que eu não me divertia tanto numa manhã sem graça. Então me distrai com o celular, e logo o dele toca avisando que um sms tinha chegado. Ele olhou pra tela e riu quando viu meu nome lá. Abriu e leu ‘Obrigado por me fazer sorrir!’. O solzinho já batia e dava pra esquentar, então sugeri que saíssemos do posto e fossemos até uma praça aonde na frente tinha o ponto de ônibus pra eu ir embora. Nisso já eram 7h30min, imaginem quantas bobagens fizemos e aprontamos na loja do posto.
Sentamos em um banco iluminado pelo sol e aquecido também. Deitei no colo dele e fiquei olhando o sol entre as folhas das arvores. Senti seus dedos percorrendo meu cabelo bem devagar... Repetidamente. Comecei a fechar os olhos mesmo sem querer. O sono estava quase tomando conta de mim! Acho até que apaguei ali no colo dele. Mas de vez em quando, quando eu abria os olhos, podia ver ele me observando “dormir”. Acabei descansando com um sorriso no rosto. Em momento algum seus carinhos pararam.
Mais cedo, de tarde quando nos encontramos, eu havia explicado pra ele o significado da minha tatuagem. Abre aspas e fecha aspas. Expliquei que o livro da minha vida estava reservado naquele pequeno espaço de pele, e que toda historia começa com abre aspas e fecha com aspas.
Quando ele me acordou pra avisar que o ônibus já ia sair, me perguntou.
‘Então... Fechou aspas aqui?’
‘Tu acha que tem que fechar?’
‘Claro que não. ’
‘Que bom, por que eu também não acho!’
Sorri, segurei seu rosto e nos beijamos pela ultima vez.
‘Como pode me aguentar a noite toda?’ – Tive que perguntar pra lhe provocar.
‘Tu sabe o por que ...’
Sorriu e me encheu de beijinhos... Eu realmente não sabia o porque. E se eu soubesse, não queria admitir. Eu não queria me iludir.
O perguntei o porquê e ele ficou todo envergonhado dizendo que eu sabia sim e não iria me dizer. Arrumou uma mexa do meu cabelo que cobria meu rosto, sempre sorrindo. Alias sorrindo um para o outro. Levantei-me e segurei uma de suas mãos, com minha outra mão acariciei seu rosto. Dei-lhe um ultimo selinho, peguei meus sapatos e me virei. Senti nossas mãos escorregando enquanto eu caminhava em direção do outro lado da rua, parecia que o mundo tinha parado ou que no mínimo estava tudo em câmera lenta. Juro que até os pássaros tinham parado de cantar. Olhei pra ele sorrindo e ele levantando, corri atravessando a rua e quando fui subir para o ônibus dei uma ultima olhada. Ele já haverá saído dali e caminhava em direção de casa. Entrei no ônibus sorrindo, quase rindo, radiante com as pessoas todas me olhando. Aquela menina com roupa de festa, sapato empunhado nas mãos, maquiagem já borrada, cabelo bagunçado e um sorriso dominando o espaço em volta dela. Sentei-me e lhe escrevi uma mensagem, na verdade um trecho de uma música do seu artista favorito, os bons saberão de quem é:
‘Hoje eu descobri o quanto eu te quero... ’
Ele completou
‘Ursinho de dormir, vem que eu te ‘quero’ assim. ’
Terminei
‘Eu ei de conquistar, teu coração durão demais!’
E recebi de resposta
‘Que mimo meu deus!’
Ri sozinha no ônibus, até a mulher que sentava do meu lado teve de rir de mim. Conversamos um pouco mais por sms até que lhe agradeci a madrugada maravilhosa que ele tinha me proporcionado e o quanto eu estava satisfeita de ter passado esse tempo ao lado dele. Agradeci o quanto ele me fez sorrir, e que fazia tempo que eu não me sentia tão bem assim.
Sua resposta me deixou quase sem ar:
‘E se depender de mim, vai te sentir assim todos os dias. ’
Nós despedimos.
Eu não sei se o tempo todo ele falava serio, também não sei se ele não faz isso sempre, com qualquer garota. Mas o que eu sei, é que nesse dia eu aprendi que toda garota merece um dia de princesa. E que nem sempre é quando a gente espera nem como a gente espera. Esses momentos de contos de fada simplesmente acontecem da sua maneira. Ao invés da Cinderela, ou qualquer outra princesa, eu fiz minha própria historia. Toda engraçada e cheia de detalhes só meu, só nosso. Meu e dele. Os melhores momentos eu nunca vou me esquecer. Agradeço seja lá quem que o colocou no meu caminho mesmo se for só por aquela noite. Meu príncipe, não veio a cavalo, nem com uma espada brilhante. Ele também não duelou com nenhum plebeu pra ter meu coração e a honra de me levar ao “baile”. O meu príncipe simplesmente me fez feliz de um jeito completamente sem explicação, uma alegria sem limite! Eu vivi meu próprio conto de fadas, uma coisa que eu mesma tinha deixado de acreditar por conta de alguns sapos que eu não consegui driblar no caminho. Demorou, e pode demorar garota (o) o tempo que for, mas acredite em mim, o seu bem querer vai chegar.
Sempre que se começa uma historia, abrem-se aspas esperando assim, que quando se acabei fecha-se aspas. Eu nunca esperei ter uma historia tão bela pra contar. Que eu tenha passado, digo. Mas tive. E com isso fecho minhas aspas para quem estiver apreciando essa leitura. E em meu coração deixo fluir as energias positivas pra que minha história com Ele, não tenha final e se tiver, que seja um... E foram felizes para sempre.”


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